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Batman em Quixadá - Parte 5
Por: Tenório
NORTHWINDPRO - seu caminho para os 238
Não sou mágico. Meu vário estava quebrado, mas ainda tinha o auditivo.
Sempre o ouvi gritar pi, piiii, piiiii-pii-piii-pi-pi, etc, mas desta vez
fazia barulho de plim-plim.
Plim-plim????? Stéfan, me manda outro vário que este quebrou mesmo!!!
Durante o vôo todo, juro que tentei entubar sempre, mas não conseguia
chegar.
Desta vez, a nuvem estava muito cinza, e havia pouco ar. Saí 300m abaixo.
Proa de Poranga.
O vento já estava alinhado com a rota, o que me permitia uma aproximação.
Com 4 horas de vôo, meu pescoço começou a doer. Passei a voar com uma mão
nos freios e a outra segurando a cabeça.
Por vezes, fiquei enroscando com o corpo todo à frente, com o rosto para
baixo, para revezar um pouco os músculos.
Consegui configurar o GPS para dar informação de climb e altitude. 2000m.
Era minha maior altura, portanto todas as informações passadas para o
resgate foram erradas, muito acima da realidade.
Passava das 17:00h quando passei minha proximidade de Poranga ao resgate.
Fui cotejado com festa pelo "passarinho". Dizia que eu era o campeão do
dia, e que ninguém mais estava em vôo. De início, não acreditei. Eu fazia
longas
pausas para ver se alguém se pronunciava na frequência. Nada. Silêncio
rádio. Declarou também que podia voar tranquilo, pois estava me vendo e
iria atrás.
Que espetáculo! Pela primeira vez em todas aquelas horas estava vendo um
asfalto, e ainda com um resgate particular embaixo.
"Então, se ninguém mais está voando, posso falar m. à vontade?"
"Pode."
O Landim, na rampa, confirmou que apenas eu estava em vôo.
"Então liga para a minha namorada e fala para ela que já estou com 200Km
garantido, e ainda estou voando."
Não precisa nem dizer que, no dia seguinte, TODOS vieram me sacanear. Foi
justo. Merecido.
Na sequência, o Landim informou que havia passado o recado. Fiquei ainda
mais feliz do que já estava.
Impressionante. Eu estava a 200Km e falava com a rampa.
17:15h. A única nuvem em todo o céu está sobre minha cabeça. Tinha a forma de
um prato raso. Tinha que tirar o máximo daquela termal, pois sabia que era a
última.
Enquanto deixava derivar, comecei a procurar o paredão dos 200Km
que vi nas fotos do Fleury. Demorei um pouco, pois estava muito alto, mas
achei. Grande. Muito belo. Fez-me lembrar Brasília.
Identifiquei a
rota que deveria seguir. Era uma estrada de terra retinha para Pedro
II. Curvava cerca de 20 graus à direita em relação ao resto da rota. Ia ter
que continuar forçando à direita. Tudo bem. Não, tudo ótimo. Tudo
maravilhoso. Já estava com o Vôo que queria garantido. O resto seria lucro, e
com o pôr do sol se aproximando, dava graças a Deus ter conseguido retornar a
um lugar habitado e ainda ter um resgate embaixo, me vendo.
Já não
agüentava mais segurar a cabeça com o pescoço. Usava agora as duas mãos para
apoiá-la.
A nuvem estava se dissipando. Ainda fiquei no piriri até zerar,
200m abaixo da base. Conferi a altitude no GPS. 2200m.
Tudo azul.
Coloquei no caudal para a tirada final.
T.
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