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Batman em Quixadá - Parte 2
Por: Tenório
NORTHWINDPRO - seu caminho para os 238
Terça-feira.
Chegamos à rampa.
O vento estava mais forte que no dia anterior.
Deitei minha mochila na sombra e me sentei apoiado nela.
Além de ter pensado exatamente o mesmo que no dia anterior, o Frank foi logo
dizendo que estava muito forte, e o Rodrigo "fast", que não iria se
arriscar, pois estava ali para bater seu recorde, e não havia mais tempo
útil (para passar dos 250).
Fiquei relaxadaço. É claro que ninguém vai voar.
Trinta minutos após, lá estava o extra-galático F.B. a postos.
Repetiram-se os momentos do dia anterior. Apesar do vento mais forte que de
"ontem", as pessoas conseguiam decolar e sair sem acelerar. Pelo menos a
maioria.
Fiquei algum tempo ao lado de nosso anjo, a Mailcar, e vi que a rajada
máxima era de 48. "Tranquilo".
Comecei a me preparar, e tive a impressão de o Slow ter ficado meio
espantado. Relaxei. Eu também estava lá apenas para quebrar meu recorde
pessoal (minha intenção desde a saída do Rio era fazer 200 Km), e havia
muito tempo para, pelo menos, bater 125.
Primeiro aviso:
Ao fazer a "rosa", na beirada da rampa, tive a impressão de ter sentido
entrar um tufão.
Questionei nosso anjo, que permaneceu calada.
Me posicionei na posição 3, pronto para decolar, e fiquei, como bom piloto,
aguardando a autorização do "torre de controle".
Passados vinte minutos de "tá pronto Tenório?", "Tô, meninos, soltem a
vela", ..., "Não vai não, não vai não", "Segurem a vela, segurem", a Mailcar
fez sinal para mim com os dedos: 55.
Nem raciocinei. 55Km por hora? Nem pensar.
Recolhi a vela, para decepção dos voadores locais. Todos ficaram dizendo que
eu podia esperar, que o vento ia diminuir. Não dei ouvidos, mas agradeci a
força.
Logo que subi a rampa, o vento diminuiu. Todos me disseram com os olhos "eu
não disse?".
Esperei trinta minutos. Alguns decolaram com tranquilidade, considerando-se
o local.
Segundo aviso:
Já animado, coloquei o capuz ninja ao som do Rodrigo, que realmente ficou
sem voar, dizendo "você vai?", e respondi afirmativamente com a cabeça.
Ao colocar o capacete, entrou um furação. Cheguei a ficar olhando para as
telhas da barraca, para ver se iam decolar e fazer um cross, também.
No exato segundo em que coloquei o fecho do capacete, tirei.
Tirei o capacete e o capuz rapidamente. Comecei a desconectar os mosquetões
e chamei minha equipe de apoio para dobrar a vela, sob protestos dos
voadores locais.
Declarei apenas "Relaxa gente, preciso descansar para o vôo de 200Km de
amanhã".
Fui conhecer o Santuário.
Vocês sabiam que existe um Santuário enorme, belíssimo, ao lado da rampa?
Passei a tarde na piscina do hotel.
Quarta-feira.
No café da manhã, encontrei nosso colega Carl, o americano que havia se
acidentado no domingo. Era a primeira vez que saía do quarto, desde então.
Perguntou-me sobre o vôo de ontem. Respondi que não havia voado, mas que
estava muito feliz, pois iria voar mais de duzentos Km hoje!...
T.
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