|
|
Batman em Quixadá - Parte 1
Por: Tenório
NORTHWINDPRO - seu caminho para os 238
Sábado:
Chegamos às 13:00h em Quixadá, mas o pessoal foi almoçar, ficou ensebando, e
acabamos chegando na rampa por volta das 16.
O vento estava súper social, de 10 a 15 km/h.
Decolei tendo que correr, peguei logo uma termal e me arrependi rapidamente
por não ter levado a máquina fotográfica. A região é muito bela. Chocante.
Ao atingir 1500m pensei "beleza, deixa eu abandonar a termal pois já está
tarde e já fiz o reconhecimento do terreno". Fiquei andando na reta até
2000m. Não acreditei no tamanho da criança. E o teto ainda estava mais ou
menos 1000 acima de mim.
Enrosquei numa descendente e pousei 17:30h.
Dois minutos depois entrou um furacão.
Tinha um parapa a uns trinta metros. Foi para trás igual uma folha de papel,
mas pousou bem.
Um segundo,que estava mais alto, tomou uma vaca a baixa altura e seu piloto
teve uma fissura no braço, além de inúmeras escoriações no "ass". É
americano. Gente fina.
Um terceiro, que estava alto, a uns 600m, nem pensou, botou no caudal e
evaporou para longe dos morros.
Depois eu vim a saber que se tratava do já conhecido vento "aracati". Nunca
havia ouvido falar.
Domingo:
Prova de 40 km, com gol em Quixeramobim.
Apesar de o vento ainda estar social, não quis arriscar a emoção de pousar
na bombaceira e não voei. Todo mundo que decolou fez o gol.
Segunda:
Chegamos na rampa um pouco antes das nove e estava uma ventaca
alucinante(para mim).
Coloquei a mochila no chão e me sentei tranquilamente encostado nela. Achei
que ninguém ia voar, doce iluzão.
O pessoal começou a se equipar. Não entendi nada.
Levantei para ver primeiro decolar. Ainda não estava acreditando.
A comando do Paulo "torre de controle", todos estavam decolando bem e
andando para frente sem acelerar.
Ainda meio descrente, comecei a me equipar.
A comando do Paulo,decolei de primeira,andando "suavemente" para frente e
para cima.
Subi na reta até 500m e comecei a enroscar, deixando derivar para trás.
Deriva forte.
subi até 1500 e parti para o cross.
Cerca de vinte quilômetros à frente, já estava pregando tendo em vista uma
única casinha, com uma "trilha de bode" à sua frente, e a estrada do resgate
vários quilômetros à direita.
Me imaginei tendo que abandonar a vela no mato, arrumar um resgate, e voltar
para buscá-la, pois seria impraticável carregá-la por tal distância.
O vento acelerava para mais fora da rota ainda. Para uma área sem uma
trilhazinha sequer.
A uns trinta metros de altura pensei ter pregado, e no instante seguinte "o
vôo só acaba quando colocamos o pé no chão", e curvei à esquerda para um
gatilho no rotor de um morrinho.
Não deu outra, pequei uma pontuda totalmente "punk" e no segundo giro vi o
extradorso INTEIRO da vela. Comandei a reabertura com dois freios, e do
jeito que reabriu continuei enroscando. Ainda olhei para baixo para checar
se o solo estaria acima de mim. Claro que não estava, se não não estaria
aqui contando.
Coloquei 1800m. O resto do vôo foi muito tranquilo. De nuvem em nuvem. 124
Km. Meu recorde era 119 em Valaderes nesse ano.
Eram 17:20h e o por do sol se daria às 17:40h. Estava em uma plantação de
cana, no meio do mato, e nenhum dos "cumecs" havia aparecido para me ajudar.
Tratei de me apressar e comecei a andar pelo mato em diração às casas que
havia visto em vôo.
Quinhentos metros depois cheguei na primeira. Havia apenas um deficiente
mental que ficou com medo de mim e eu dele.
Segunda casa. Garotos brincando na rua e eu, de longe, cumprimentei-os com
um sonoro "oi, tudo bem?". Saíram correndo. Me senti o próprio ET.
Terceira casa. Sabia, pelo GPS,que estava a 5 Km de Monsenhor Tabosa, mas
precisava saber a distância pelo chão. Me foi respondido "é longe, duas
léguas". Grande resposta. Alguém sabe quanto é uma légua? não precisam
responder, agora já sei, 6 Km.
Estiquei o olho e vi que havia uma moto na sala. Perguntei quanto queriam
para me levar."8 Real".
Beleza. Me deixou no "turtle bus", o resgate oficial. Fiquei feliz da
vida,paguei 10.
Voltei de L200. A estrada é uma M.... levamos mais de quatro horas para
chegar.
T.
|
|
|